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sexta-feira, 30 de julho de 2010



Tradução de Hélvia Faria



terça-feira, 20 de julho de 2010

Cinta-liga/Desliga na Revista Arte SESC



7° Edição da Revista ARTE SESC traz a Crítica de Kil Abreu sobre o espetáculo


Cinta-Liga/Desliga


Kil Abreu – Jornalista, pesquisador e crítico teatral da Folha de São Paulo e da Revista Bravo

“Apresentando como trabalho “em processo” o espetáculo do trio de atrizes do Trompas de Falópio (Aline Tanaã, Grasiela Muller e Odelta Simonetti) dedica-se a investigar, em chave cômica e na linguagem do palhaço, o universo feminino. A partir deste tema genérico, o grupo opera alguns recortes mais preciosos, por meio de uma construção cênica fundamentalmente apoiada nas ações físicas, no improviso medido e na relação aberta com a platéia.
Estes recortes passeiam no espaço entre as determinações físicas da natureza feminina e os hábitos sociais que derivam delas (há um quadro inteiro, hilário, sobre a relação das mulheres com os pêlos do corpo) e alcançam as idealizações “típicas”, em que a posição da mulher-coisa ganha a sua contraface, em uma cena na qual um homem da platéia é posto no lugar do objeto de desejo e, bacanticamente, devorado em um ritual que remete á historia de Cinderela, só que em chave invertida, para avançar em situações nas quais a sexualidade ganha expressão, digamos, menos prosaicas que no conto infantil.
Apesar destas variações, que tateiam por sobre um imaginário determinado, de gênero, o que de fato sustenta a comunicação da montagem é o repertório de soluções e a disposição sempre livre para dar boa conseqüência e efeito á arte do palhaço, seja ele homem ou mulher. Nessa área, as atrizes do grupo de Caxias aparecem em cena razoavelmente munidas de um repertório que inclui o talento para produzir os tempos cômicos da ação, da gestualidade acertada e da provocação do riso em nuances e gags inesperadas, que fazem da seqüência de quadros uma pequena caixa de surpresas, estas apresentadas matreiramente uma após a outra.
Não á toa, a dramaturgia do espetáculo quase que dispensa a palavra. Dedica-se ao essencial do jogo, no que nele há de melhor e mais potente: como entre as crianças, em que não há discurso verbal que organize melhor a coisa cômica que o próprio gesto, a ação em si e o puro prazer do brinquedo, da exibição deste e do efeito esperado. É claro que há um planejamento razoavelmente rigoroso do plano cênico, da direção e do trabalho das intérpretes. Contudo, o charme do espetáculo está justo em pintar o planejamento com o verniz e o frescor da coisa nova, com a simulação do improviso e da surpresa. Trata-se de material teatral de muito boa qualidade que certamente terá futuro, como obra acabada, igualmente cativante, a tomar pelo que pudemos ver nesta apresentação do Palco Giratório.”


Crítica publicada na Revista Arte SESC – Nº 07 primeiro semestre 2010.

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